quinta-feira, 3 de maio de 2012

sobre a mecânica dos seres

por favor, coloquem um óleo que minha engrenagem já está quase parando e, se parar, eu posso voltar a pensar e perceber que toda essa automatização dos seres já comeu o meu cérebro, coração e sonhos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

É preguiça de sair de dentro de mim

Eu sinto falta é do que minha imaginação alcança por si só.
Só, sozinha, si, eu, mim, minha. E fim.
O mundo é melhor assim. Quando eu estou só e não há ninguém para frustrar meus sonhos com seus palpites, suas entradas sem convites ou suas soluções. Porque eu não sei viver assim em conjunto, sem poder respirar meu ar. Amor demais assusta e sufoca! Me deixa com os meus problemas, deixa eu tentar cuidar da minha vida! E quando eu quiser chorar, eu vou até aí, tá? Os meus sorrisos são garotas de programa, qualquer um tem. Você sempre os terá. Mas as minhas lágrimas são moças recatadas, tem de se empenhar para conquistar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Amor de partidas

Mas hoje ele levantou preparado pra dizer sobre todo o amor que ele nunca escondeu. Hoje, o dia da partida. Porque o amor entre os pássaros - essas pessoas livres - é assim mesmo, sabe. Eles se amam na liberdade, na partida, na saudade.
Ele sentiu no peito o efeito de deixá-la. Dói, é claro. Mas o sol já estava lá tocando as suas asas que gritavam histericamente "se joga, vai! pula dessa janela e voa". Então ele a olhou brilhando aos raios que a alcançavam deitada na cama com seus cabelos emaranhados, pensou em acordá-la, mas não teve coragem. Preferiu deixá-la sonhando com sua volta. Talvez assim doesse menos. Não doeu, mas as partidas são assim mesmo. E a vida dos pássaros é feita delas.
Então ele deixou um bilhete, como de costume.
Lembre de hoje no futuro, quando nada for seguro e o medo do desencontro tentar te roubar do nosso amor. Lembre de hoje, quando as nossas almas aprenderam a respirar uma a outra. Lembre de hoje, te suplico, porque não há como se enganar pensando que poderemos ser felizes esquecendo a nossa história.
E pulou, e voou.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mas é um entra-e-sai tão grande da minha vida que eu já nem consigo saber quem está e quem já se foi. E eu que nem sou de me apegar já estou tão farta desse some-e-aparece que quando entra alguém me agarro logo antes que ela parta, porque eu não quero mais que ninguém reparta o tempo em antes e depois, ou a vida em nós e você, ou eu em sou e já-fui-um-dia.