sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"olhar pela janela e ver o Sol tentando respirar"

- Eu já sofri muito nessa vida...
- Ah não vem com essa! Você nem sabe o que é sofrimento.
- Falou a senhora da razão! Então vai lá, sabe-tudo, me define sofrimento então.
- Sofrimento é querer escrever e não ter inspiração.
(risos)
- Você é tão dramática com essa tua poesia.
- Por que disse poesia fazendo aspas?
- Porque, se eu não sei o que é sofrimento, você não sabe o que é poesia.
- Talvez sejam a mesma coisa...
- É uma boa teoria.
- Na prática é uma merda!

domingo, 4 de setembro de 2011

considerações de final de dia


a verdade em que eu estou começando a acreditar é que talvez tenhamos sido criados com o propósito de perder. perder o medo, perder o tempo, perder o caminho, perder a vontade de acertar, perder o motivo de se irritar. Não consigo enxergar o porquê de vivermos sempre com tanta neura. é tão mais fácil encararmos os fatos que a vida nos põe e simplesmente seguir em frente. é tão mais fácil aceitar que algo não deu certo e tentar de outra forma do que ficar remoendo, e doendo, e sofrendo a vida toda com medo de tentar de novo, alimentando traumas dentro de si que irão determinar que você é um perdedor por destino. por quê? por que não perder a necessidade de saber sobre o amanhã? é tão mais simples viver sem preocupações, sem pré julgamentos do que pode ser certo ou errado. sabe, esses dias eu ouvi um casal conversando e entrando em acordo de que eles iriam namorar e caminhar no relacionamento deles devagar, a medida que desse certo eles aprofundariam, dariam um passo adiante. Isso me soou tão idiota, porque não acho que isso deveria ser um acordo, mas deveria ser o natural. por que o natural é entrar num relacionemento com o destino definido? "vamos namorar para casar", ou "não vamos nos envolver, não quero nada sério". quem somos para ditar o futuro? não somos ninguém, absolutamente. sempre que eu assumo esse papel de Deus, achando que posso escolher o caminho que minha vida tomará, minha vida toma um caminho de merda! cai numa fossa, dá tudo errado. e sabe por que? porque não fui criada para ser vidente, fui criada com a enorme beleza da ignorância acomanhada pela surpresa do que está coberto pela frente. a vida é o descobrir do futuro e eu sou a derrota de todas as vitórias pré-estabelecidas.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

cinco minutos

Será que cinco minutos fazem diferença? É, porque de repente eu fico aqui mais cinco minutinhos e conheço o amor da minha vida ou, mais, quem sabe eu encontre respostas para minhas maiores incógnitas do tipo: para onde estou indo? Assim como todos os encontros misteriosos do acaso que construiram o amor de Tomas e Tereza - aqueles da Insustentável leveza do ser - talvez mais cinco minutos acarretem uma série de acontecimentos improváveis que mudariam o rumo da minha vida também.
Me parece um tanto injusto que tão pouco tempo possa influenciar toda uma vida, não acha? Imagine só! Somos jovens de vinte e poucos anos, no meu caso vinte redondo, e sei que cinco minutos podem mudar o rumo da minha vida! É assustador, pois nessa fase em cada esquina há fôlego de Vida. Sei que em cada esquina que eu dobre haverá ar, mas também sei que cada uma delas me levará a um caminho diferente. Todas podem me levar ao mesmo lugar, esse não é o ponto, o que importa é: o caminho. Isso é o que faz diferença aqui, Agora.
Hoje deveria ser um desses dias em que você abre a página de um livro e vê sua vida ali dentro se desdobrando diante dos seus olhos e tornando pó todas as suas certezas pré-fabricadas nas suas ideologias de quem engoliu o que o rebanho do papa te disse sem questionar. Um daqueles dias em que aquela taça de vinho que você não ia tomar, mas um amigo disse "qual é!? amanhã é sábado, toma mais uma!" e então você toma Aquela taça que te faz ter um estalo no cérebro e compreender que para ter amor é necessário mais segredo.
Entende o que quero dizer?
Hoje deveria ser um daqueles dias em que você descobre o Mundo, em que você descobre que tudo é pequeno, é pouco e que Nada irá te saciar. Porque cinco minutos são mais que o suficiente para se enxergar a fragilidade das coisas. Do tempo, da amizade, dá fé, do amor. Sim, o amor é frágil! Este que os tolos - como eu - dizem que ele é forte... é o mais frágil de todos. Por isso para se ter amor é necessário mais segredo: quanto mais se expõe o amor, mais sujeito à queda ele está.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

É o coração quem diz

Era uma vez um coração de gelo que derreteu e hoje escorre pelas ruas da vida. O tão disputado coração ancorado hoje navega livremente por mares alheios e tornou-se estrangeiro nos próprios mares.
É uma vez. Assim, em tempo presente, vos digo: é uma vez. É duas, três e quantas eu quiser e quero. Hoje sou eu quem quer o meu coração. Hoje que ninguém mais o quer. Hoje que todos aqueles que tiverem migalhas ou inteiros do que eu podia ofertar desse pobre coração que já não bate nem apanha o maltrataram, eu percebi o valor dele. Hoje torno-me aliada do meu pior inimigo: o meu coração.
É que antes eu tinha medo de ouvi-lo. Julgava-o tolo, o rei dos bobos! Agora sei que, se ele é o rei, eu sou a rainha. E digo à mim mesma: é um prazer te conhecer. É engraçado como nós nos conhecemos tão pouco e somos ingratos com nossos próprios corações. A quem eu poderia amar mais do que ele que bate sem pedir motivos para tal ato? Me mantém viva sem pedir nada em troca. Então quem sou eu para julgar as suas escolhas? Devo apenas ouvi-lo e apoiá-lo mesmo sabendo que é burrice o que ele faz. Porque burrice mesmo é calar a voz do coração. Deixemos pois que eles falem, gritem e vivam. Porque para quem está vivo o maior prazer é viver.
Não há mais como levantar barreira para se proteger do mundo, porque essa barreira pode até ser escudo para quem está de fora, mas também é espada para quem está dentro. Porque a solidão de estar preso dentro si mesmo também machuca. E dessa solidão todos nós provamos. Achei que poderia fugir dela escrevendo, mas não deu certo. Não sei escrever, não consigo por para fora nem metade do que corre pelas minhas fitas vermelhas. Então o jeito é se entregar mesmo, se entregar para a vida. Ouvir o coração e segui-lo.
E lá se vai ele... pára, olha para trás e me pergunta "você não vem?". E eu o sigo em mais uma loucura, ao menos no final da vida poderei partir daqui com a certeza de que vivi.