terça-feira, 30 de agosto de 2011

cinco minutos

Será que cinco minutos fazem diferença? É, porque de repente eu fico aqui mais cinco minutinhos e conheço o amor da minha vida ou, mais, quem sabe eu encontre respostas para minhas maiores incógnitas do tipo: para onde estou indo? Assim como todos os encontros misteriosos do acaso que construiram o amor de Tomas e Tereza - aqueles da Insustentável leveza do ser - talvez mais cinco minutos acarretem uma série de acontecimentos improváveis que mudariam o rumo da minha vida também.
Me parece um tanto injusto que tão pouco tempo possa influenciar toda uma vida, não acha? Imagine só! Somos jovens de vinte e poucos anos, no meu caso vinte redondo, e sei que cinco minutos podem mudar o rumo da minha vida! É assustador, pois nessa fase em cada esquina há fôlego de Vida. Sei que em cada esquina que eu dobre haverá ar, mas também sei que cada uma delas me levará a um caminho diferente. Todas podem me levar ao mesmo lugar, esse não é o ponto, o que importa é: o caminho. Isso é o que faz diferença aqui, Agora.
Hoje deveria ser um desses dias em que você abre a página de um livro e vê sua vida ali dentro se desdobrando diante dos seus olhos e tornando pó todas as suas certezas pré-fabricadas nas suas ideologias de quem engoliu o que o rebanho do papa te disse sem questionar. Um daqueles dias em que aquela taça de vinho que você não ia tomar, mas um amigo disse "qual é!? amanhã é sábado, toma mais uma!" e então você toma Aquela taça que te faz ter um estalo no cérebro e compreender que para ter amor é necessário mais segredo.
Entende o que quero dizer?
Hoje deveria ser um daqueles dias em que você descobre o Mundo, em que você descobre que tudo é pequeno, é pouco e que Nada irá te saciar. Porque cinco minutos são mais que o suficiente para se enxergar a fragilidade das coisas. Do tempo, da amizade, dá fé, do amor. Sim, o amor é frágil! Este que os tolos - como eu - dizem que ele é forte... é o mais frágil de todos. Por isso para se ter amor é necessário mais segredo: quanto mais se expõe o amor, mais sujeito à queda ele está.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

É o coração quem diz

Era uma vez um coração de gelo que derreteu e hoje escorre pelas ruas da vida. O tão disputado coração ancorado hoje navega livremente por mares alheios e tornou-se estrangeiro nos próprios mares.
É uma vez. Assim, em tempo presente, vos digo: é uma vez. É duas, três e quantas eu quiser e quero. Hoje sou eu quem quer o meu coração. Hoje que ninguém mais o quer. Hoje que todos aqueles que tiverem migalhas ou inteiros do que eu podia ofertar desse pobre coração que já não bate nem apanha o maltrataram, eu percebi o valor dele. Hoje torno-me aliada do meu pior inimigo: o meu coração.
É que antes eu tinha medo de ouvi-lo. Julgava-o tolo, o rei dos bobos! Agora sei que, se ele é o rei, eu sou a rainha. E digo à mim mesma: é um prazer te conhecer. É engraçado como nós nos conhecemos tão pouco e somos ingratos com nossos próprios corações. A quem eu poderia amar mais do que ele que bate sem pedir motivos para tal ato? Me mantém viva sem pedir nada em troca. Então quem sou eu para julgar as suas escolhas? Devo apenas ouvi-lo e apoiá-lo mesmo sabendo que é burrice o que ele faz. Porque burrice mesmo é calar a voz do coração. Deixemos pois que eles falem, gritem e vivam. Porque para quem está vivo o maior prazer é viver.
Não há mais como levantar barreira para se proteger do mundo, porque essa barreira pode até ser escudo para quem está de fora, mas também é espada para quem está dentro. Porque a solidão de estar preso dentro si mesmo também machuca. E dessa solidão todos nós provamos. Achei que poderia fugir dela escrevendo, mas não deu certo. Não sei escrever, não consigo por para fora nem metade do que corre pelas minhas fitas vermelhas. Então o jeito é se entregar mesmo, se entregar para a vida. Ouvir o coração e segui-lo.
E lá se vai ele... pára, olha para trás e me pergunta "você não vem?". E eu o sigo em mais uma loucura, ao menos no final da vida poderei partir daqui com a certeza de que vivi.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nas veias do mundo

Cherry,

te escrevo pela vontade enorme de te ver que está aqui apertando o meu peito desde ontem, quando você levantou da cama. Desde aquele momento sei que não te vi mais, já estava diferente, já era outro. Sempre que me acostumo à ti, você vem de novo com esses seus giros mundanos. Revisando todos os seus passos, o beijo que me deu na testa, a maneira como olhou pela janela respirando fundo o ar da estrada vermelha que te levaria mais uma vez em minutos para bem longe de mim, tuas costas pela fresta da porta se virando de quando em vez para me olhar e a tua ternura me dando adeus... me doeu. Não é que eu duvide desse romance Sartre-Simone que nós temos, é só que eu sinto falta da certeza. E não é daquela da qual falamos no dia em que nos vimos pela primeira vez, aquela que eles precisam sentir. A certeza de ter, a certeza da rotina. Não, não é dessa que eu falo, essa concordamos que nunca teríamos. Mas falo sobre a certeza da liberdade. É que eu tenho me sentido sempre presa à essa vontade de te ver. Cada vez que você parte leva minhas asas na bagagem.
Tudo o que fica é essa saudade doída, esse vontade de você desmedida, essa cama vazia nessa madrugada mendigante que clama por você. E então passo as horas resgatando sua voz eternizada na minha memória dizendo repetidamente que me ama e, então, a dor diminui. Mas a saudade não. E continuo as horas seguintes com as lembranças dos encontros por entre as pilastras de um bloco qualquer, das conversas antropológicas, do compartilhamento literato e, claro, das caminhadas de pôr-se-sol ouvindo Wilco prometendo simplicidade, verdade e Vida. E aí eu lembro que antes de você eu não era nem metade dos versos da poesia que carrego hoje comigo, e de que antes do nosso encontro estávamos fadados a padecer eternamente no desespero de não saber amar e ser amado.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Deixo meu amor contigo

Tudo antes era só um ensaio do que eu sinto por você. Agora é o espetáculo. Primeiro e único ato: amar você. Me dá um arrepio frio no peito apenas por te olhar desse jeito assim: sem jeito. Quanto medo me invade quando me pego olhando pela janela contando os incontáveis segundos para te ver de novo, assim: apaixonada. E me retruco desesperada: "de novo entrelaçada num sentimento? Ora, coração, você não se aquieta! Quanto mais chove em ti, mais o teu fogo aumenta".

E, veja bem, eu sou toda incêndio.

E por mais que eu tente, repense cada palavra que eu disse, e revire cada detalhe das três ou dez noites que gastamos e desgastamos nossos abraços, e cante, e espante todos os males matutinos que me acometem ao te ver ali ao eu lado, e dance com cada anseio vespertino que antecede cada encontro, e veja  milhões de outros rostos procurando traços seus...
O amor, para mim, continua sendo essa chama que consome tudo o que sou, que me veste de contradições, que me faz andar uns passos trôpegos e cautelosos, e desesperados, e inseguros, e intermináveis. É que amar, para mim, é como engasgar: falta de ar, desespero, todos os movimentos tornam-se involuntários e toda a minha existência se volta para aquela decisão involuntária: ou cospe ou engole. E é por isso que, vez ou outra, eu preciso desistir do amor - não desisto de ti, de mim ou de nós, apenas do amor - para poder respirar.

É que eu amo você. E amo mais do que eu poderia suportar.